segunda-feira, 27 de abril de 2009

Repasse seu coração.

O tempo passa e não espera. Não pára e segue sempre na mesma velocidade. É um ciclo. Nasce, cresce e morre. Não há outra sequência. A vida é uma só e eu já nasci sabendo disso. O relógio fazendo o serviço e eu crescendo (não que eu ainda não cresça, óbvio). Recebi educação de verdade, modos de comportamento, caráter. Aprendi que honestidade é uma virtude e a perdoar (por mais doloroso que seja). Aprendi que amor de pai e mãe é raridade - ainda mais nos dias de hoje - e que, quando ele não se faz presente, a vida segue sem uma imprescindível estrutura. E obrigado, eu tenho a minha.

Hoje sou o que sou porque você me fez assim. Soube me educar de uma forma que, acredite, eu nunca vi por aí nessas duas décadas de estrada. Tá pra nascer uma mãe que sabe dar o verdadeiro valor e passar os verdadeiros e necessários ensinamentos pros filhos. Surpreendo-me com o seu coração bom e puro, isento de malícia, que quer sempre o bem do ser humano, ajudar com o que pode e, às vezes, até com o que não pode. Missão cumprida. Você conseguiu, de uma forma incrível, colocar tudo isso dentro de um potinho em formato de coração e me entregar e me fazer cuidar com cautela e usar dia após dia.

O aniversário é seu, mas quem ganhou o maior presente fui eu. Obrigado por ser única, mãe (de verdade), me dar amor (carinho, afeto, preocupação, tudo que engloba o verdadeiro sentido da palavra), tudo que uma mãe deveria dar para um filho. Posso afirmar com o peito cheio: eu tenho a melhor mãe do mundo. Parabéns por mais um ano de vida... Batalhas vencidas, conquistas, força, felicidade, fé em Deus. Parabéns por ter dentro de ti um coração constituído de sentimentos. Parabéns por me fazer como você. Estarei sempre do seu lado, segurando a sua mão.

Estarei na sua arquibancada, segurando o cartaz mais bonito da torcida: "aquela ali é a minha mãe!”.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Caminhão de mudança.


Tente entender de uma vez por todas que você não precisa enteder tudo. E entenda também que se você pensar demais, fede. Por fim, deixa a onda te levar. Mas não deixe que levem as suas expectativas e que derrubem as suas bandeiras fincadas na terra firme.
Fale menos e mais baixo. Coma menos porcaria. Beba mais água. Lembre-se que a fruteira vive cheia e doce em excesso engorda. E fique sabendo que as suas brincadeiras são sem graça e que as suas piadas não fazem ninguém rir de verdade. Tente melhorar esse seu mau humor quando acorda. Lembre-se sempre que as pessoas vão continuar te decepcionando e que você tem que saber perdoá-las. Continue sem saber o que estão falando de você por aí, isso é o que menos importa. Jogue toda essa sua ansiedade pela janela e não jogue todas as cartas na mesa. Guarde algumas poucas na manga.
Olhe menos o relógio. Olhe mais para frente do que para trás. Mas pra você olhar, é preciso estar com as lentes limpas. Limpe suas lentes. Leve isso mais a sério. Você já não enxerga quase nada.
Não rasgue as páginas. Não feche o livro. Destaque os trechos mais relevantes e nunca esqueça os personagens principais. Só você pode fazer com que o final seja feliz e que a edição seja limitada.
Troque as pilhas, mas não troque os aparelhos. Atualize o manual de instruções sempre que for preciso. Não estrague e nem arranhe. Conserve-os como se fossem seus.
Quando o aperto for maior que todo o resto, continue colocando pra fora como você vem fazendo de um tempo pra cá. Mesmo as pessoas achando o que quiserem, criticando e não entendendo realidade nenhuma. É interessante ver que você é um dos poucos que consegue enunciar ambiguamente. Nunca economize lágrimas. Eles ainda não inventaram nenhuma campanha de conscientização desse tipo de água. Ainda bem.
Acostume com o quebra-cabeça sem algumas peças. Você consegue montá-lo muito bem e ir para o próximo jogo. Os dados já estão rolando. Não mude as regras. Os participantes que se adaptem. Eu vou voltar daqui um tempo. E quero ver mudanças.


P.s.: o texto é velho e foi ótimo ter visitado a lixeira.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Eu chego primeiro.

O tempo voa, mas quem chega primeiro sou eu. Com experiências vividas e tombos doloridos, eu tive que aprender a ser mais veloz que o relógio. Aprendi, sem livros, a pular obstáculos, nadar contra correnteza e correr na tempestade. Eu aprendi a não ficar de braços cruzados, arregaçar as mangas e lidar com o ser humano. E que, por pior que seja a situação, há sempre um lado bom.

Eu fui vivendo assim. Entre altos e baixos. Sabendo cair do topo e sair do buraco. O tempo foi voando e eu fui à frente dele. Esperando o que ele poderia me causar e acreditando numa luz no fim do túnel. Era só puxar a mão pra cima e bater o olho. Uma atitude simples que virou mania.
E hoje, graças a tanta coisa, eu sou outra pessoa. Não me estresso mais com qualquer coisa, dou valor pra aquilo que merece e ignoro quem precisa. Não te dei bom dia sexta-feira passada porque eu não estava em um bom dia, dá licença? Te incomodei com minhas risadas na fila porque eu estava cuspindo felicidade e é incontrolável, me desculpa. E não vamos deixar pra conversar amanhã, senta aqui e joga todas as cartas na mesa. Eu gosto de jogo limpo.


Ah, e você pode até achar que eu faço planos demais. Mas ué, se não for assim, qual é o propósito da vida? Faço planos mesmo, sonho alto mesmo e vou atrás disso o mais rápido possível. Não costumo deixar no papel. Eu boto na prática, mesmo que tudo vá por água abaixo.

Eu sempre preciso ver as águas rolarem. E se for necessário, eu mudo o trajeto delas.

domingo, 2 de novembro de 2008

Obrigado, vocês!


Nasci dia 25 de outubro de 1988, às duas e vinte da tarde. Sol rachando, pais trabalhando, crianças e adolescentes vendo Vídeo Show, e eu lá, nascendo. Nunca me disseram, mas certeza que minha mãe era um poço de ansiedade e meu pai de nervosismo. Minha irmã provavelmente estava segurando um kit de recém nascido já querendo cuidar do bebê que estava por vir. Sempre gostou de crianças e, hoje, sabe-se lá por que, adora a galera da terceira idade. Enfim, recepção não faltava. E até hoje nunca faltou. Talvez seja isso o motivo da área lá de fora ser tão cobiçada. Receptividade é o segredo.

Mais um neném na família, mais um no índice de natalidade, mais um ser pra viver e mais um coração no mundo. Falando assim parece comum, normal, apenas mais um humano no planeta. Mas quem me conhece mesmo sabe que não é assim. Eu sei que o meu coração não é como qualquer outro. É uma pena que não inventaram clone de coração.

Eu amo minha vida. Começando pela infância. Era batata, eu chegava do colégio e já estava toda a trupe na rua. Todos os tipos de pique, bola, queimada e muita diversão. Bicicleta, patins, patinete. Nada de brinquedos modernosos. Naquela época a inocência e a pureza faziam parte do cardápio da garotada. Não existia ipod, internet de fácil acesso e nem todos tinham celular. Cresci no tempo certo. Pouco a pouco. Muito e ao mesmo tempo pouco. Até que veio a adolescência. Mudanças. No corpo, comportamento e pensamento. Confusões, festas de 15 anos, excursões, notas baixas e eu lá, crescendo. Achava que já era íntimo da maturidade e ainda assim, uma criança. O tempo voou e logo veio o terceiro ano. Vestibular, decisões, stress e despedidas. Saudade. Muita saudade. Pulo 2007.

E hoje, já fora dos dezenove, sopro as vinte velinhas com toda força do universo. Com os pés no chão, a cabeça nas nuvens e o coração na boca. Com a mesma ansiedade de outubro, mas com medo da casa dos vinte. Sabendo do peso que é não ter mais dezoito ou dezenove anos. Ainda com a loucura de querer mudar o mundo e não desistindo disso. Ainda abismado com a tecnologia, a natureza e o cara lá de cima. Ainda com esperança nas pessoas, no amor puro que virou raridade e no clone de coração.

Agradecendo a Ele por mais um ano de vida, saúde e amor. Com fé, felicidade e de olho no futuro.

Obrigado, vocês!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Certeza completamente certa.


Eu demorei bastante tempo pra organizar tudo dentro da minha cabeça. Porque dentro do coração as coisas já estão no seu devido lugar. Mente feito um brinco, e agora sim eu tenho capacidade de botar pra fora o que tá rodeando meus pensamentos há tanto tempo. A intensidade vai aumentando, o amor vai ficando mais forte e eu vou seguindo a vida cada vez mais tranqüilo. Com você tudo fica mais fácil. É fato.

Se antes era prima, hoje é irmã. Nessa nossa família louca tinha que restar alguma união, né? Pois bem, olha a gente aqui. Sangue do mesmo sangue, carregamos o mesmo sobrenome com orgulho e fé em Deus. E esperança, obviamente. Antes tarde do que nunca. Ah, se todos fizessem o que o coração manda, como a gente... Seguir os pedidos e desejos do coração é raridade. Muitos tentam dominá-lo. Obrigam a sentir outra coisa, agridem e deixam cicatrizes no pobre coitado. Tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. Ainda bem que ouvimos. Porque se não fosse assim, a gente não teria chegado nem a metade de onde estamos. E te digo, estamos bem adiantados. Temos tanta estrada pra caminhar, juntos...

A vida me ensinou a ser o melhor que eu posso ser. Eu dedico, me empenho e aprendo. Ensino, mostro o lado bom e tiro um sorriso. Faço graça, ouço gargalhadas e vejo os olhos brilharem. Dou meu ombro macio, enxugo lágrimas e seguro firme as mãos. Falo o que meu coração manda, faço carinho e abraço forte. Certeza que vai ser nós dois até o fim. Certeza completamente certa.

Te amo, pedaço de mim.
E não há nada nesse mundo que nos separe.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Casa dos vinte, duplex pra gente.


1988. Outubro. E Deus já acumulava caixas de papéis com planos e metas da (nossa) vida. Passou meses pensando num mês ideal, numa data ideal, numas pessoas ideais e que se completassem e se amassem para todo o sempre. E aí Ele nos fez. Veio você e cinco dias depois eu apareci. Passou um tempo, a gente soprou duas velinhas e Ele não agüentou de ansiedade e colocou a escolinha de baixo como ponto de partida. Primeiras páginas. Lápis de cor, giz de cera, e rabiscos feitos por mãos ainda sem coordenação. Eram apenas duas crianças que escreviam uma história que estava só por começar. “Era uma vez...”.
Os anos passaram e as coisas continuavam no mesmo lugar. O que mudava era a nossa proximidade. Cada vez mais intensa. E a gente cada vez maior. Janeiro, carnaval, páscoa, férias de julho, dia das crianças, seu dia, meu dia, natal, reveillon, boletim e tudo de novo. Se era chato e repetitivo para os outros, pra gente era bem diferente. Os doze meses serviam resumidamente para amadurecer o que o cara lá de cima tinha botado nos papéis. Planos entrando em ação.
Escolinha de cima. Ensino Fundamental. Panelas, frigideiras e confusões. Number One, risadas, carona de bicicleta, biscoito recheado de chocolate. E a gente lá, alimentando nosso amor, nossa confiança e nossa certeza. Crescendo junto, fazendo história e sendo feliz. Sempre juntos.
Quando tudo corria bem, veio a notícia. Eu aqui e você em Belo Horizonte. Apenas três horas e meia de viagem, mas uma saudade até então nunca sentida. “Deus dá saudade pra quem sabe ter.” E não é que a gente sabe? Sabe tanto, que a capital mineira foi pequena pra tanto. Desceu quase tudo e foi parar aí. As três horas se multiplicaram por seis. Agora são dezoito horas de viagem. Saudade também multiplicada seis vezes. E definitivamente isso tudo não é nada perto da gente.
Ele sabe realmente o que faz. Não acho justo deixar dois seres crescerem juntos e depois separá-los dessa forma tão dolorida. Um dia a gente ainda há de viver perto um do outro, relembrar o passado, curtir o presente e planejar o futuro. De mãos dadas, até o fim. Pra sempre. “Naquele esquema, a gente tá longe, mas tá sempre junto”.
Parabéns por fazer parte de uma das histórias mais bonitas da vida. E fazer da vida a melhor coisa do mundo. E fazer do mundo um lugar melhor pra gente viver. E fazer da gente os irmãos mais fortes que existem. E fazer da sua existência a minha existência, da sua felicidade a minha felicidade. E me fazer ter a certeza de que você é uma das minhas grandes certezas.
Obrigado por tudo.
Eu te amo, minha irmã.

sábado, 18 de outubro de 2008

Papel aberto e caneta destampada.

Muitas vezes eu escolhi escrever para tentar resolver. Nenhuma vez eu consegui. Quando a poeira abaixava, eu tentava. Abria a gaveta, papel e caneta na mão, e de repente, mais uma chuva caía sobre minha cabeça. Às vezes, as gotas vinham acompanhadas de raios e trovões, resultando em uma verdadeira tempestade em mente completamente (re) virada. E por mais forte que seja meu teto e meu guarda-chuva, eu não agüentava.

Eu desistia dos meus poucos artifícios e infelizmente, perdia o chão. O que eu tinha ao lado dos meus pés molhados eram apenas lágrimas. E em outra época, completamente diferente dessa, dos meus lados, direito e esquerdo, existia praticamente a torcida do Flamengo. Pouco a pouco as camisas do meu time foram largadas sujas, com marcas e alguns furos. Tiraram a chuteira e saíram do nada, de domingo pra segunda mesmo. Eu não percebi e como sempre, minha ficha custou a cair. Infelizmente ela demora certo tempo para adaptar ao novo, e quando cai, quebra. Obviamente, eu também.

Aparecem pequenas cicatrizes, olheira e depois de quase tudo estabilizado, o dedo indicador aponta em direção a um horizonte bem distante, onde tudo é compatível com meus pensamentos e raízes. Foi preciso uma enchente pra eu perceber que quando mais tempo ele fica apontado, melhor. Eu não me canso e muito menos desisto. Meus olhos brilham tanto que não preciso nem limpar as lentes.

É impressionante essa vida. Na primeira fase o meu crescimento aconteceu devagar. E agora, pelo menos agora, eu notei que crescer depende muito mais do que está ao redor, do que de você. É claro que o tempo e os seus erros te ajudam em alguns aspectos. Você assusta, olha para os lados, bebe um pouco de realidade e pronto, olha lá a sua imagem no espelho com alguns centímetros a mais.

Cabeça, corpo, futuro e felicidade. Quatro palavras que deram as mãos, se acorrentaram e não conseguem se separar mais. Ainda bem. É bem melhor assim.

Não tampo a caneta e nem dobro o papel.